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5 de julho de 2009

ÚLTIMO ORGASMO



Você lembra quando foi a última vez em que teve prazer de verdade?

Quando foi, mesmo no frio polar, que você se queimou em brasa só por pensar?

E quando um som deixou você excitada a ponto de gritar?

Quando uma notícia te deixou com cara de abobada, e de tão feliz extasiada?

Lembra quando foi a ultima vez em que o cheiro de alguma coisa irresistível te fez desejar comer, e se lambuzar, sem ao menos se preocupar por estar sendo observada?

Quando um toque te fez ensurdecer mesmo diante de buzinas frenéticas?

Um beijo roubado, no momento menos esperado, te fez transpirar?

Quando teu corpo te deu tanto prazer só de caber na calça apertada?

E a chegada de alguém fez com que seu dia virasse uma festa na madrugada?

Quando foi a ultima vez que sentiu prazer por ouvir as palavras ininteligíveis do seu bebê?

Quando gozou de verdade os minutos ao lado do seu velho avô?

Quando foi a ultima vez que se sentiu vivo simplesmente por ter dito “eu te amo”?

Quando sentiu um raio eletrificar o seu corpo ao ser abraçada?

Quando sentiu prazer por vestir uma roupa velhinha, cheia de lembranças, costurada?

Quando foi feliz orgasmicamente, a ponto de enlouquecer?




Quando sentiu gozo só de saber que tantos amam você?

Quando a liberdade te deu tanto prazer a ponto de cometer mancadas?

Quando uma palavra foi suficiente para te fazer subir pelas paredes, enebriada?

Quando foi a ultima vez que sentiu prazer em não precisar obedecer, responder, esclarecer?

Quando um assobio fez você rejuvenescer?

Quando foi que suas pernas bambearem só por ver braços se abrindo pra você?

Quando alguém fez você sentir a plenitude somente por não ter ido?

Quando sentiu prazer por ser você, sem pensar em quem deve agradar para ser aceita?

Quando se sentiu inteiramente vivo por ter visto um nascimento?

Quando o trabalho te fez desejar fazê-lo, mesmo que fosse num domingo?

Quando de verdade se extasiou só por ver uma fotografia publicada?

Quando sentiu prazer por simplesmente ser elogiada?

Quando sentiu pela ultima vez o prazer da gargalhada?

Quando uma mágoa curada, uma briga esquecida e uma desculpa aceita te fizeram sentir relaxada?

Quando foi a ultima vez que gozou só por ouvir a sua música na estrada?

Quando uma lembrança do passado te fez querer rebobinar a fita e deixar a imagem congelada?

Quando se permitiu ao invés de proporcionar?

Quando se sentiu inteira sabendo que era a metade de alguém?

Quando uma voz te fez emudecer?

Quando, de verdade, teve orgasmos somente por viver?

Você pode nem saber responder...
Mas a vida ainda lhe dará múltiplus, infindáveis momentos de prazer.
Tantos e todos deliciosos.
Quando você terá cara de gozo, ar sereno, os cinco sentidos inoperantes, estáticos, catatônicos.

É só deixar acontecer.
E quando estiver na hora, você vai saber.

29 de junho de 2009

REMÉDIO


Quando penso na saudade, penso na dor que ela remete pelo que não temos mais.

Porque sentir saudade dói, essa é a verdade.

Saudade mexe com o estômago, com o peito, com a cabeça, com o espírito.

Saudade é vontade de ter de novo algo que já não está mais ao alcance, algo que já passou, que já foi, que não existe mais.

É tão difícil senti-la como traduzi-la, já que saudade não existe em nenhum outro idioma.

Hoje tive uma crise de saudade, das fortes. Das que aparece no meio de uma tarde de segunda-feira, na hora mais imprópria para sentir falta de alguma coisa.

Tive que interromper a dor da saudade para socorrer minha tia, que se contorcia por uma crise renal.

Horas depois, vendo-a deitada na maca daquele hospital, sendo tratada, medicada, bem cuidada, já sem dor, tive vontade de perguntar ao médico:

“Você tem remédio para a saudade ?”

21 de junho de 2009

A NATUREZA DAS COISAS


Se avexe não.

Amanhã pode acontecer tudo,
Inclusive nada.
Se avexe não.
A lagarta rasteja até o dia,
Em que cria asas.
Se avexe não.

Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa.
Se avexe não.
Amanhã ela pára na porta da sua casa.
Se avexe não.
Toda caminhada começa no primeiro passo.
A natureza não tem pressa,
Segue seu compasso.
Inexorávelmente chega lá.
Se avexe não.
Observe quem vai subindo a ladeira,
Seja princesa ou seja lavandeira,
Pra ir mais alto vai ter que suar.

Acioli Neto.

9 de junho de 2009

NEUROSES DE AMOR

Dia 12 se aproxima potencializando muitos sentimentos dos casais, dos namorados, dos solteiros, dos avulsos, dos disponíveis para o mercado.

Potencializa inclusive os fetiches, as neuroses, as manias !

Tem gente que passa 10 anos noivando e acumulando esperanças e jogos de pano de prato bordados com as iniciais do casal. Grande investimento!

Um amigo hoje confessou que nunca esqueceu uma sacana com quem namorou há 10 anos atrás. Mulher marcante, essa.
Isso porque ela aprontou com ele, porque as boazinhas nem sempre deixam marcas. Nem de unhas...

Conheço um cara que quando começa a namorar, avisa pra menina que o pinto é pequeno. Todo mundo acha que é piada dele até que a garota dá de cara com a caneta esferográfica do rapaz. Ela fica sem saber ao certo se ele quer comê-la ou rabiscar ela.

Tem homem que tem pinto grande que mais parece um João bobo. E como tal, balança para um lado e para o outro e cai. Há outros loucos que acham que só os buracos nos dão prazer. A esses, as mulheres deveriam entregar o mapa da xereca delas.


Conheço um cara que hoje está casado com a garota que ele mais desprezou na vida.
E agora, ela sapateia sobre as camisas engomadas dele.
E ele as usa.
Ai dele se não usar.

Existem fetiches aos montes: desde homens que só gozam se a mulher chupar seu mamilo até os que passam horas chupando o dedo dos pés da mulher, achando que ali existe um botão mágico pra fazer ligação direta com o clítoris. Como se a gente fosse um carro velho sem chave.

Uma menina que conheço foi fiel a vida inteira ao namorado e agora que casou com ele, tem caso com a vizinha do casal. Belo triângulo isóscele!

Tem homem que na hora H grita feito menina. Com esses algumas mulheres até brocham.

Conheço um homem que tinha caso com uma mulher-maravilha, que nunca reclamava de nada, não cobrava, não enchia o saco. Ela era o máximo, até virar a mulher dele.

O depoimento de um conhecido semana passada foi de que a traição é o tempero do namoro. Pra esse cara, a vadiação não tem graça nenhuma quando ele esta solteiro. Bom mesmo é estar namorando para poder sair pra paquerar.

Se fosse possível, muitas mulheres colocariam GPS nos pintos de seus homens só para saber onde eles se encontram. Os locais onde muitos deles se escondem certamente não estariam no guia de ceps.

Conheço uma coroa que tem um rolo com um garotão que pensa que ela é cheia da grana. Bom, ela é feliz com o que ele dá pra ela e ele é feliz com o que pensa que ela dará pra ele um dia.
Além das pelancas dela, ele herdará pouca coisa.

As neuroses amorosas existem.

As loucuras de amor estão espalhadas por aí, permeando a vida de todos aqueles que estão envolvidos com alguém, seja lá que espécie de relacionamento for.

Se todos fossem sempre certinhos, os pecados não seriam tão deliciosos.

Os Fetiches nos libertam da mesmice amorosa, dos paradigmas, dos padrões.

Pinto não precisa ser grande nem bonito para fazer direito. Os mais feios às vezes fazem belos estragos.
O que é nosso pode ser melhor do que o do outro, desde que a gente explore suas potencialidades.
E as coisas mais obscenas podem ser mais deliciosas desde que o casal se permita viver isso, sem neuroses.
O desejo ardente às pelancas daquela mulher é uma prova de que tudo vale a pena.

O que importa é saber que tem um louco que combina com a gente, que completa nossos pensamentos, mesmo os mais idiotas.

Quem disse que o amor não tem um quê de insano ?

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