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22 de julho de 2010

SINTOMAS

Amar excede a capacidade do ser humano de suportar.
Isso porque o amor engasga, como se nada pudesse passar pela garganta.
E pouco a pouco só tem espaço para o ar, que atravessa os pulmões, querendo refrescar um coração em brasas, chamuscado.
O amor trava órgaos internos como um estado de coma interior. E não se pode competir com um corpo que nao aceita outra forma de alimento, senão o amor.
Amar gela do esôfago ao estômago, superaque o sangue, coagula o pensamento.
Doença de amor é quase um tormento que ninguém pode curar.
Quisera ter um plano de saúde que tivesse cobertura para o mal de amar.

IMAGENS DA VIDA DE UM PINTO

Para quem acha que a vida de um pinto é dura, as imagens provam que alguns deles vivem na moleza.
















21 de julho de 2010

EU SEI, MAS NAO DEVIA


A gente se acostuma, mas não devia. Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltada porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche por que não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e a dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz, aceita a ler todo dia de guerra, os números de longa duração .
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e a ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto . A gente acostuma a pagar por tudo o que deseja ou necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que se paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar: a lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo na madrugada, a temer a hifobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, um ressentimento aqui, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce o pescoço um pouco. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado.
A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.

( Marina Colassanti)

20 de julho de 2010

PUNHETEIRAS !

A organização chinesa impressiona!Os bancos de semen na China tem profissionais para a coleta de esperma. O candidato doador fica deitadinho, quietinho, vendo o palhaço ser descabelado. É o espermograma assistido. A punheteira, digo, a profissional extratora ganha em torno de R$ 3.700,00 por mês para garantir que a banana seja bem descascada e que vai render um material rico ao banco. Coisa de chinês. Vai entender !





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