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4 de janeiro de 2009

ESSE MENINO


Pra quê olhei
Bem naquela direção
No parque de diversão
O menino a caminhar

Olhei pra ele, é bem verdade
Eu me entrego
E uma coisa eu não te nego
Que me arrepiei de pensar

Nem tive culpa, pois peguei ele me olhando
Enfeitiçando
O danado do menino vem chegando
E o diabo da luxuria me queimando
E eu desejo e só desejo ele me amando

E nessa ordem
Faz sentido que seja feito
Já que por direito
Só há um jeito
De espantar esse sujeito do peito

E ainda em desatino, esse menino
Vai fazer um estrago
Se passar aqui de novo
E eu só não me movo
Se ele não quiser

Não adianta piscar
Porque linguagem de hoje em dia
Em sintonia
Ele só entende se olhar
O recadinho que eu deixar

Esse menino tá virando minha cabeça
- Me enlouqueça
Eu vou pedir se ele voltar
E se ficar mais um pouquinho
Dou colinho
E mais beijinho
Pra gamar

Esse menino volta e meia dá canseira
Mas parece brincadeira
Esse jeito dele me olhar

Eu avisei que não chegasse muito perto
Meu coração não é esperto
E ele vai se apaixonar
E se ele pensa que eu desisto dessa luta
Não discuta
Dessa vez você vai ter que me beijar

Mas ele fica como quem perde a cabeça
E não se esqueça
Que o diabo ainda está a me falar
Que me desejas, meu menino
É a verdade
E se a gente não se entrega
Não vai ter felicidade

Não diga nada que os teus olhos não diriam
E antes que eles sorriam
Eu deixo você se aninhar

Esse menino vem assim tão de mansinho
E é só carinho
Que eu não posso recusar

Antes que a gente se esqueça
Da verdade
Você mora na cidade
E não vai mais me encontrar

Mas se quiseres
Te prometo em juramento
Não tirar nem um momento
Os teus beijos do pensar

Assim fica difícil, esse menino
Essa cruzada do destino
Um desatino
Porque fui me apaixonar?

12 de dezembro de 2008

CRIMES PASSIONAIS

Celular toca.

Ela atende ofegante, depois de constatar no visor que era a ligação que tanto esperava.

Ok, ela concorda com o encontro proposto pela pessoa do outro lado da linha após 8 segundos de meias palavras carinhosas que queriam dizer, na verdade: QUERO TE COMER.
Não levaria 3 se o sujeito falasse logo, sem contar com o tempo do "ALÔ".

Ela se ilude, claro. Após 15 segundos, acha que o cara já disse que a ama em senegalês, mas ela é que não soube traduzir o idioma.
E concorda com o encontro.

Muda o roteiro do dia, cancela compromissos importantes. E marca o check-up total no seu pet-shop de confiança.


Faz depilação de todas as partes do corpo onde haja pêlo. E descolore os que não dá para arrancar. Faz drenagem linfática, unhas, hidrata cabelo, corta, escova e sai de lá um tantão mais bonita. E mais pobre.

Compra lingerie de renda francesa, usa perfume Calvin Klein e maquiagem das mais caras.
Passa hidrantantes no corpo inteiro. Se besunta de óleos especiais em partes que somente um obstetra poderia ver.


Prepara a casa com aromas, sabores e ritos.
Prepara a cama com apetrechos de toda ordem.

E prepara a alma com expectativa.

Celular toca.
O visor denuncia o nome do sujeito pelo qual ela está assim, absolutamente desesperada.
Ele está na portaria e vai subir.

O coração dela acelera. Dá saltos igualáveis a um mergulho de bungee jump.

Abre a porta para ele, esperando antes de mais nada, o olhar cobiçador seguido da palavra romântica.
Nada. Nada de flores. Nada de palavras. Nada de olhares.
Ele pula em cima dela sem ao menos reparar no quilo de massa corrida que passou na cara.
Sem sentir o cheiro da casa, sem ouvir a música, sem ver o corte de cabelo.
O vestido dela desce até o joelho em milésimos de segundos, enquanto ele sussurra em seu ouvido palavras obscenas.
Não vê o sutiã de renda, porque o arranca enquanto a beija.
E rasga sua calcinha como quem abre um sachê de ketchup.
Para quê cama com lençóis de algodão egípcio, se a primeira coisa que ele vê na frente é o sofá ?
Não há Veuve Clicquot que lhe seja aprazível beber, embora ela tenha empregado uma fatia do seu décimo terceiro em duas garrafas.

Entre um amasso e outro, comenta que seu perfume é forte demais.
Mas continua com a cara enfiada nos peitos dela.
E mesmo percebendo que não há um pêlo sequer povoando toda a sua extensão corporal, não comenta nada porque deve pensar que ela nasceu assim, filha de índio.
Embora, obviamente, não haja flechas na decoração de sua casa.

Aos poucos, empurra a cabeça dela para dentro da sua calça. E começa a looooooonga espera em busca do seu próprio prazer.
De braços cruzados e olhos fechados, sorri gemendo.
E fica nesse prazer que, para ele dura uma eternidade. E para ela, representa o momento mais engasgado de sua vida, quando está com a boca ocupada demais para reclamar. E por pouco, não morre entalada.

Em poucos minutos, ele procura buracos nela.
E começa a ser rápido, muito rápido. Tão rápido que ela pensa que se encontrou com uma britadeira. Das que fura e faz barulho em seu ouvido.

E quando ela acha que está para ficar bem feliz, como qualquer mulher merece, ele vai dá o urro final, antes de desligar a máquina e dizer que o brinquedo ficou sem pilha.

E roncará nos próximos 20 minutos, após ter grunhido algo ininteligível aos seus ouvidos perfurados. E vai ficar assim, sem dizer uma palavra, mesmo estando em sua casa, em sua cama e ainda dentro da sua vagina.

AÍ ELA PENSA:
"Assim é que nascem as serial killers."



8 de novembro de 2008

DESSA VEZ É PRA VALER




Só queria que você soubesse,

que mesmo passado esse tempo

ainda te amo do mesmo jeito

como da última vez que o vi...

Um ano se passou

e já é hora de abrir a tranca que coloquei no peito...

Achei que seria fácil.

Pelo visto, me enganei.

Amar nunca é facil.

Esquecer, menos ainda.

Quando decidi pelo fim,

tomei uma decisão pensando na dor que pudesse causar a terceiros.

BURRA..............

Só feri a mim, hoje eu sei.

Porque saí te amando.

Nunca te disse ao vivo, olhando em teus olhos...

Talvez nem precisasse.

Há coisas que não precisam ser ditas pra serem sentidas.

Mas talvez eu tenha lhe feito um favor me afastando.

Só sei que meu peito ainda arde de saudade, não por faltar alguém...

Mas por faltar você.

Faltar o que tínhamos.

O que sentíamos juntos.

Decidi, de vez, te apagar.

Meu amor não se acabará, mesmo usando essa borracha.

Mas vou rasgar a página da minha vida em que parei em você...

Dessa vez, é pra valer...

5 de novembro de 2008

TECLA DEL


Depois que a Igreja Católica aprovou a criação de um santo padroeiro para a internet, Santo Isidoro de Sevilha, me pego pensando em todos os momentos de agonia em que já estivemos rezando por um milagre em frente a um computador.

Se todas as novenas que repassamos fossem me conceder um pedido em 7 dias, eu já estaria com um condomínio de apartamentos à beira mar.

O mundo virtual religioso seria prodigioso se fosse verdadeiro.
Muitos pecados cometidos poderiam ser absolvidos com o cidadão ajoelhado em frente a CPU com o mouse nas mãos.

Todos aqueles que bloquearam um ex no MSN, que enviaram correntes, que visitaram sites obscenos ou que ignoraram o email de um amigo seriam para sempre excomungados.

Hordas de hackers malfeitores seriam queimados em praça pública.

E todas as caixas de entrada estariam sempre lotadas de emails enviados pelo amor da sua vida.

Obviamente, estaríamos pra sempre livre do demônio dos SPANS.

Mundo perfeito se pudéssemos dar um PRINT SCREEN em todos os sorrisos que já nos ofertaram os seres humanos. E feedback fosse uma tecla fácil de apertar quando alguém não lhe destina o elogio merecido.

Pena não podermos SALVAR COMO todas as declarações de amor inesperadas que já ouvimos na vida.

E que o Google não possa implantar um chip em nossa cabeça pra buscar todas as informações que queremos num piscar de olhos.

Se milagres virtuais existissem, eu pediria apenas a possibilidade de usar o CONTROL Z na vida.

Pra nunca mais repetir as burradas que um dia fiz.

Afinal, não é em tudo que se pode dar um DELETE.



TEXTO: MICHELINE MUSTAFA



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