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22 de setembro de 2010

FÉRIAS

Passadinnha básica pra dizer que o POLAROIDES está de recesso até que eu retorne das minhas curtas férias. Afinal, descanso total tem que ser sem computador, telefone e emails.
A partir do dia 27, estou de volta.

Beijos/Kisses/Bejos

14 de setembro de 2010

ELA FEZ FOTOGRAFIA


"E então ela resolveu fazer fotografia.
Porque ora podia mentir, ora podia se maquiar.
Consegue agora escolher o melhor rosto, o melhor ângulo, a melhor mesa de qualquer restaurante.
Fotografia não precisa ter música, pois basta a qualquer olheiro imaginar a melodia preferida enquanto são reveladas as sombras, os gestos e os retoques.
Hoje ela manda na própria poesia, escolhe seu futuro e o melhor ensejo para registrar sua tragédia.
Voltou a fumar, dedica o final do dia a uma cerveja e a madrugada para conversar com qualquer alguém.
Ela resolveu fazer fotografia porque basta somente a ela escolher quem vai parar no retrato ao lado da cama: sua ignorância ou qualquer ignorante.
Porque basta a ela revelar apenas o que quer."


Texto: Marcelo Mayer

13 de setembro de 2010

Trailer COMER REZAR AMAR - Estreia 01 out no Brasil

             

Para quem leu o livro da Liz Gilbert  e está ansioso pela estréia do filme, estrelado por Julia Roberts, a espera acabou. A previsão de estréia no Brasil é dia 01 de outubro.
"COMER REZAR AMAR" é baseado no livro homônimo de Elizabeth Gilbert e chega aos cinemas brasileiros trazendo James Franco, Javier Bardem, Viola Davis, Richard Jenkins no elenco.A protagonista tem tudo que uma mulher sonha - um marido, uma casa e uma carreira de sucesso. Mas ainda assim ela se encontra perdida, confusa e ainda à procura do que realmente importa na vida.
Agora divorciada, ela sai de sua zona de conforto, arriscando tudo para mudar sua vida e embarcando em uma jornada ao redor do mundo e em busca de autoconhecimento. A viagem para a Italia, India e Bali muda absolutamente o rumo de sua vida pessoal e profissional.

11 de setembro de 2010

Casamento é como um "COMBO"

                          
                                               (foto que tirei do casamento de meu irmão)

Um dia, lá pelos confins do passado, um grande amor me arrebatou de vaidade ao me pedir em casamento.
O gesto coroava o encontro mágico que tivemos e embora eu estivesse absolutamente apaixonada aos 22 anos, uma certeza era latente: casamento era como dizer “NÃO” ao resto de minha vida.
E então, eu disse "NÃO" a ele.
Deixar a boemia e a construção de meus alicerces profissionais naquele momento era uma decisão que antecipava (eu diria precipitava) um futuro para o qual eu não estava preparada. Não via mudando da terra do acarajé para a terra do congestionamento, de aliança no dedo e algema nos pulsos.
E olha que eu o amava. Mesmo ele sendo do Vasco.

Os tempos mudam.

Casamento agora me parece um “SIM”. Um "sim" com seus disfarces.

É como um “COMBO”, no qual você adquire aquilo que mais queria comer, mas tem que levar um plus só porque vale mais a pena pagar pelo conjunto.

A pergunta crucial que o padre faz aos noivos deveria ter um parêntese imenso com tudo o que a proposta inclui.

“Meus filhos, vocês aceitam um ao outro, amando-se e respeitando-se, mesmo na TPM e no desemprego, na trepada do século ou na brochada do milênio, até que a falta de vontade de estar um com o outro os separe?”



Antes de dizer “SIM”, deveria existir um tempo pra pensar no COMBO.

Dizer “SIM” à hipoteca da sua vida, sem tempo para financiamentos baratos.

Dizer “SIM” à falta de exclusividade do controle remoto, ao espaço inteiro da sua cama para rolar durante a noite e ao fato de passar a ser não mais você, mas SRA. fulana do tal. Se ele for um Pinto, dizer “SIM” ao fato do carregar o pinto nas costas (nada contra Pintos, juro!).

“SIM” também às vantagens que o sobrenome dele oferece e quanto à cama, se for king e ele for mega plus size, tudo bem!

Dizer “SIM” aos amigos cachaceiros que ele tem, sem bons modos, sem bons hábitos, sem bons antecedentes. E “SIM” às esposas que se tornarão suas amigas para o resto da vida, mesmo que o casamento delas acabe antes. Ou o seu.

“SIM” à infeliz idéia de ser telespectadora vip de todas as sessões de ronco que ele vai singelamente lhe oferecer, madrugada após madrugada, mesmo sem se dar conta. Ah, ok. Antes dos roncos, virão infindáveis orgasmos regados à “YES, YES, YES” (SIM, SIM, SIM).

“SIM” aos pedaços de unha cortados sobre o chão limpo da sua sala recém faxinada, aos cotonetes sob a pia do banheiro e aos outros tantos viciozinhos de limpeza enfadonhos que ele desenvolverá ao longo da vida. “SIM” também à falta desses vícios. 
Mas “SIM” para não estar sozinha no auge de uma febre e contar com maridinho para a tarefa de lhe dar banho.

“SIM” para o banho a dois cheio de safadeza na noite de uma terça-feira sem graça.

“SIM” para lisura, para conjecturas, para clausuras.

“SIM” para cenas de ciúme, para mancadas, para ciladas.

“SIM” para o consolo ou para o choro desenfreados porque ele não quer discutir a relação.

“SIM” para manifestos contra os seus bobs no cabelo e para os elogios que ele lhe fará diariamente. Ou de vez em quando.

“SIM” para temperamentos explosivos quando ele bater o carro e para o carro novo que ele comprar após a batida. “SIM” para a “inauguração” do carro novo.

“SIM” para azia, para idiossincrasia, para esquizofrenia.

“SIM” para paletós com corte italiano, para restaurantes mexicanos e para campeonatos sul-americanos.

“SIM” às metonímias inerentes ao homem e ao seu caráter predador. E a elas, dizer “SIM”, porque mulher gosta de ser “comida que mata a fome”

“SIM” para sua nova intimidade com a máquina de lavar+ as cuecas sujas dele. E para o fato de nem existir roupa que os separe na cama.

“SIM” para metade do domingo esfregando um carro, para o bode depois da feijoada, para a olhada indecorosa na vizinha.

“SIM” para a mão dada na hora da má noticia, para o casaco oferecido no frio do cinema, para a massagem nos seus pés esfacelados de dor.

“SIM” para o toque gentil em seu rosto sem maquiagem, “SIM” para defendê-la de tudo que pode machucá-la.

“SIM” para outra presença, mesmo quando tudo o que se quer é um pouquinho de si mesma. “SIM” para nunca mais se sentir só.
 
“SIM” quando antes dele tudo o que você ouviu foi um “talvez”, tudo o que você amou foi engano, tudo o que você desejou foi unilateral.

“SIM” pela módica quantia de passar os próximos anos da vida sendo dois, ao invés de apenas um.
Afinal, como eu disse, o casamento não passa de um COMBO.

Obs.: uma pena não estar à venda em qualquer lojinha de conveniência!


Texto: Mitchel Mustafa
Escrito onde: num vôo entre Recife e Salvador. Concluido no sofá do meu escritorio, num sábado sem aula.

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