Quando tinha 5 anos, aprendi que não Papai Noel não existia ao reconhecer as unhas pintadas de minha mãe, que estava disfarçada de bom velhinho na porta de casa.Aprendi que a distância podia ser dolorosa aos 7 anos, quando meu choro se juntou a outro, que me via partir.
Aprendi que não ter peitos aos 9 anos podia ser melhor do que querer diminuí-los aos 15.
Aprendi que os beijos não eram os responsáveis pela concepção dos bebês.
Aprendi que gostar de alguém aos 12 podia ser perigoso se você não sabia o que fazer com isso.
Aprendi aos 15 que telefones tem extensão e que minha mãe podia estar numa delas me ouvindo.
Aprendi que se apaixonar não deveria significar adoecer.
Aprendi aos 18 que todos os meus atos tinham conseqüências e que a partir dali, minhas escolhas seriam minha sentença.
Cresci. Mas nunca aprendi que meu corpo acumula o que eu como. Por isso, ele carrega as lembranças daqueles biscoitos recheados que um dia comi.
Amadureci e aprendi que se você se acostuma com a mediocridade, começa a fazer parte dela.
Aprendi que não é porque nunca tive que jamais terei.
Aprendi que o tempo na terra é curto. E que meus avós não vão durar pra sempre.
Aprendi que a pele da gente não é de plástico e que minha mãe sempre teve razão ao me dizer isso.
Aprendi que mudar era necessário. Mesmo que tenha sido doloroso.
Aprendi que se não engolir a tecnologia, ela me engole.
Aprendi que o tempo é muito menor do que eu tenho que fazer na vida.
Aprendi que meu chefe chega mais cedo justo no dia em que eu me atraso.
Aprendi que a maioria das coisas com as quais me preocupo nunca acontecem.
Aprendi que a vaidade emocional nos move mais do que a vaidade física.
Aprendi que rugas podem ser disfarçadas, que as velas do bolo não precisam ser expostas e que as fotografias não tem que ter datas. Mas mesmo querendo negá-lo, foi o tempo quem trouxe minhas melhores experiências.


